terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tu que me tinhas acabou

Pra que tentar falar,
Com quem não sabe te ouvir?
Pra que buscar verdades,
Em quem só sabe mentir?

Não vou ficar arquitetando
Sonhos que só são em vão
Não vou ficar articulando
Pro seu surdo coração

Já que não podes me ver
Já que não sabes chorar
Percebo que em você
Só o vazio vai reinar

E eu não vou estar
Mais por lá
Para preencher

Todo espaço em branco
Que o teu peito em prantos
Solidificou! 
                        Efêmero dos Devaneios

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Amor, surrealismo verídico

Estou em busca do que um dia prometido
Já procurei nos lugares mais ousados
Fui até mesmo ao escuro de um lugar tímido
E percebi que lá estou abandonado

Sem rota de fuga, e sendo mesmo escravizado
Pela paixão entrelaçada ao passado
Que com carinho chicoteia meu olhar
Que abre cortes sem o escorro do sangrar

Estou fugindo de mim mesmo faz um tempo
Pois quem eu era, se confunde com quem é
Sinto o veneno de teu beijo correr lento
Ele não mata, porém não me deixa em pé

Porque em pé somente fisicamente
Não faz sentido, se a mente não respirar
E o coração que pulsa inversamente
Causa distúrbios nas visões de meu olhar

Tua frieza te torna o meu hesito
Fez-se mentira tudo que por ti foi dito
E o meu grito está sem forças pra clamar
Pelo o que tu insistias a me falar

Já perdido e sem a tua fragrância
Sigo um caminho pra bem longe de mim
Onde encontro romance em abundância
Nesse lugar aqui pra onde eu vim

Aqui sempre num final de tarde
Assisto a um espetáculo de amor
A doce onda vem abraçar a pedra
Que ali firme o dia inteiro a esperou

Como luzes do cenário, o crepúsculo
Criado pelo namoro da Lua com o Sol
E o mar ali refletindo tudo
Deste romance, é a pluma, o lençol.
                                            Efêmero dos Devaneios

sábado, 25 de setembro de 2010

Um novo mesmo ser

Estou cansado fisicamente
Mas meu coração está tão disposto
Antes era o contrario totalmente
Mas em eterno momento, tenho um novo rosto

Mergulho dentro de mim
Em sensações cristalinas
Percorro por vastos jasmins
Que em meu olhar se fascina

Falo com mais amor
Olho com mais ternura
Embriago-me com o mel da flor
Meu toque, fervor sussurra

E no ontem na vida um tom cinza
No hoje só cinzas virou
Aquele no espelho ranzinza
Num marujo se transformou

Que navega no olhar das pessoas
Nos sentimentos alheios
Num barco de amor próprio
Sendo um Deus dos devaneios.
                                         Efêmero dos Devaneios

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dê vida à vida


No momento que a angústia te envolve
Logo quando a saudade lhe corrói a alma
Nesse instante que a nostalgia te convida
Para uma viagem perdida

O que fazes neste momento?
Ou o que fazes depois deste momento?
Eu sei, eu sei, tu esqueces a felicidade
Deixa aflorar a ferida, fecha os olhos pro mais belo
Fecha os olhos para a vida

Não ajas mais de tal maneira
Maneira esta que deves contrariar
Contrarie a angústia
Deixando seu coração em sereno alívio

Cante versos errados, mas lindos
Veja os cães abandonados, mas feliz
Sinta o vento louco, mas livre
Contemple no barro a beleza do lírio

Assim voltarás a olhar as nuvens
E nelas enxergarás um quadro de desenhos
Surreais, que dançam em sincronia
A música que alegria cantarola

Junte a saudade, dor, nostalgia e angustia
E as jogue na lagoa do medo
E deixe que afunde bem fundo
Formando assim, uma só marola

Já com a felicidade no peito
Sinta o sabor da tua vida
Não há gosto mais doce no mundo
Não há mundo sem o sabor da vida.
                                       Efêmero dos Devaneios

domingo, 19 de setembro de 2010

O sabor que a água tem


Dizem que a água não tem sabor
Que absoluto engano
Provo isso com vigor
Observando nosso cotidiano

Sinta esse sabor de alegria
Ao exalar o perfume da flor
Esse gosto em demasia
Só existe, pois a chuva a irrigou

Sinta o sabor da liberdade
Que sentes num banho de cachoeira
Que te imergis na sanidade
Nessa água passageira

Esse sabor de melancolia
Que escorres em teu rosto
Através dessa lágrima fria
Que esquentas o teu corpo

Que sabor de repugnância
Nessa atitude grosseira
Uma cuspida no rosto por quem tens ânsia
Em um momento de uma briga feia

Desfrute do doce e sereno sabor
Em um simples copo d'água
Que com orações se abençoou
E afastará toda mágoa

Acorde com o canto do rouxinol
E sinta observando esse singelo arco-íris
Formados por pingos da chuva namorando os raios do sol
Sentirá um sabor extasiado, mas só quando tu rires

Agora imagine um sabor de esperança
Que sentiremos em constância
Se acabar a água potável, para nossas crianças

Seria um sabor de guerra
E de sofrimento
Que exalaria nesta terra
Para todos e em todo momento

Existem muitos sabores
Que a água propicia
Eu rio ao ver tantos senhores
Dizer que sabor à água não pertencia.
                                                    Efêmero dos Devaneios

sábado, 11 de setembro de 2010

Meu inimigo amigo meu

Meu inimigo invisível
È mais visível do que eu
E ele é mesmo imbatível
Mesmo inimigo que o seu

Conversando no canto comigo
Como fugir tento pensar
Pois até mesmo meu abrigo
O inimigo pode comprar

Ele cheira a ódio
A alegria e a rancor
Consegue esconder o óbvio
Possui o dom da dor

Mais, sempre mais,
Muitos o querem como amigo
Mais, sempre mais
Ele está sempre contigo
Mesmo sem você querer

Por mais que você fuja
Não há como correr
Ele encontra sua fuga
E sem ele, tu vais morrer

Maldito seja esse indivíduo
Que sempre está no poder
Tão odiado e tão querido
Ele não perde, ele não morre
Só o vejo vencer

Mais, sempre mais,
Muitos o querem como amigo
Mais, sempre mais
Ele está sempre contigo
Mesmo sem você querer

Suas casas são nos abismos
Pintadas com sangue da injúria
Onde tomam vinhos reunidos
A ganância, o egoísmo juntos a luxúria


Inimigo, meu amigo
Que me mata, sem eu perceber
Inimigo, meu amigo
O mundo fede a você

Jovens morrem pela sua companhia
E os pais aplaudem com vigor
Toda essa ideologia
De verdades falsas que você criou

Mais, sempre mais,
Muitos o querem como amigo
Mais, sempre mais
Ele está sempre contigo
Mesmo sem você querer

E não importa o quanto eu grite
O quanto eu mostre para ti
O nome desse inimigo
Ninguém vai querer ouvir

Vão duvidar, vão ri da minha cara
Mas a cara desse cara, qualquer um pode ver
Mas a verdade custa cara
Todos os seus luxos vão desaparecer

Por isso o mundo não quer acreditar
Que nosso inimigo verdadeiro
É a droga do dinheiro
Que jovialmente entristece o meu cantar.
                                                       Efêmero dos Devaneios

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Soneto de uma amizade

O que seria o vento sem as correntes de ar?
O que seria um sorriso, sem você para alegrar?
O que seria do crepúsculo se não fosse o Sol?
O que seria da estrada, sem teus conselhos como farol?

É... Seriam sem graça flores sem perfumes
Como também minha televisão, sem tua voz no volume
Meio preto e branco, e muito contundente
Sem tê-la como amiga, não serei sorridente

Não sorrir, não brindar, não seguir, não cantar
São frases comuns, se essa amizade acabar
Por isso espero vê-la sempre assim
E sentir que tu és minha pedra da sorte

Que guardei dentro de um jasmim
Que pretendo abraçar mesmo após a morte.
                                                             Efêmero dos Devaneios

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