quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Rio de fúria

Sorrio!
Sarcasticamente de raiva.
Sombrio!
O meu olhar nesta madrugada.

Quem viu?
As minhas memórias sem casa.
O frio?
Sou eu e meus olhos rasos dágua

Lembrar
Qualquer coisa menos você
Quebrar
A cara, o coração e a tv

Por que?
Para realmente sumir!
Com que?
Comigo e contigo dentro de mim.

O fogo
Vai queimar os livros das minhas lembranças
A água
Irá lavar o sabor das tuas danças

Não vou
Mais nunca mais em meu coração
Ter o amor
Que desperdicei nessa ilusão

Dormi!
Para teu nome e para o tempo
Sumi!
Das doces lembranças daquele momento.
                                                  Efêmero dos Devaneios

domingo, 19 de dezembro de 2010

Falsetes


O mundo vai ser sempre assim
A mentira será nosso ponto sem fim?
Mentir é algo tão sedutor
Aliás, é com ela que enganam a dor

Mentiras mudam o que você vê
E o mundo é só o que você vê
Desligue a sua TV
Olho por dentro, não por fora de você

Por que se entregas a tanta aparência
Onde esqueceu a sua essência?
O que realmente te encanta e não ilude
Prefere a beleza ou a virtude?

Sorria com um mundo mais belo
E quem faz o seu mundo
É seu coração sincero

Mas a humanidade se apaixonou
Pela mentira que a conquistou
Mas ainda temos chance
Cante o amor, e com a verdade dance

Mentir é tão fácil
Eu minto também
O caminho mais fácil
Não vai muito além

O difícil que evitamos
Que tiramos de cena
Carrega com ele
O que vale a pena

É sempre mais forte quem sabe mentir
A verdade hoje em dia, não ganha por aqui
Mas o sol que brilha não muito distante
Vai brilhar logo em breve em nosso horizonte

E no amanhecer em que ele brilhar
Mentiras e fracassos vão se ofuscar
E somente o que vai resplandecer
É a sinceridade que habita em você.

Se mentir é preciso para sorrir
Eu prefiro chorar a te ver mentir
Pois na mentira não sinto a felicidade
Do mar de ilusões eu tirei a minha verdade.
                                                 Efêmero dos Devaneios

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O último. O último grito

Meu peito, minha garganta, meu amor
Estão sem voz
Quem sabe de mim, não sabe
Das lágrimas nos meus lençóis

São só os meus olhos e meus pensamentos
Que cantam e falam por mim
Por mais que eles insistam
Tu não vai ouvir

O que já me fez sorrir
Agora molha meu rosto
E o amor que traço em mim
Não sacia o teu gosto

Sem seu ar, suas risadas e sua ironias
O meu sorriso adormecido
Não acorda há muitos dias

Então silenciei e poupei cordas vocais
Só para dar o ultimo grito
Só por hoje e nunca mais

Mas não se preocupe
Não escutará minha voz
Não te acordarei desse teu sonho
Onde é inexistente o pronome nós

Vou gritar alto pro alto
Para o som se dissipar
E na noite dos meus olhos
O grito vai me libertar

De tudo que eu lembro
Só pra não te esquecer
Um grito pesado e nostálgico
Ecoante vai dizer

Não quero aprender te esquecer
Mas, afinal
O fim tem seu final.
                                   Efêmero dos Devaneios

domingo, 12 de dezembro de 2010

Canto suplício

Um jeito simples há de ter
Para te fazer  lembrar
Alguma coisa a fazer
Pra que tu possas me encontrar

Se estou perdido em você
Sem saber como vou fugir
Para um lugar onde eu me encontre
Sem ter que me esconder de mim

O meu desejo no momento
Que me esforço a alcançar
É estar em seu pensamento
Quando acordada ou a sonhar

Por breve longos instantes
Ou só por uma ocasião
Preciso abrir a porta do abrigo
Que guardo no seu coração

Mas só o que eu consigo
É te perder antes mesmo de achar
Nem conversando comigo
Tu consegues em mim  pensar

Por isso  no meu canto
Só escuto a voz do silêncio
Não é o seu, mesmo assim basta
Pra eu cantar o canto suplício.
                                              Efêmero dos Devaneios

sábado, 11 de dezembro de 2010

A mesma história

O que posso te dizer?
Se nem sei mais o porque
De todas as coisas que faço
De todos esses meus passos

Rumo ao passado
Perdido, de lado
Sem mais nada a pensar
E esse nada, me mostra tudo do seu olhar

Será que vais entender
Será que vais sentir
O quanto penso em você
O quanto finjo que te esqueci

Quero que viva mais, dentro de mim
Não quero que sumas, não assim
Esse gosto que sinto vindo do coração
Não é só saudade, não é só paixão

Pressinto ser afeto, carinho, pressinto você
Não basta loucuras, sem seu louco ferver
O que é o paraíso que dizem existir
Se nesse paraíso não a vejo sorrir

Estou cansado de ter que sempre estar
Fingindo sorrisos, camuflando o olhar
Se na verdade o que lembro nas noites de dezembro
Revive todo o meu mês de novembro

Onde eu refaço meus dias
E mudo este fim
Onde o fim não existe
Onde  tu és o meu mim.
                                     Efêmero dos Devaneios

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Queria que me visse.


Queria que me visse agora
Só pra me por em seu colo por horas
E afagar-me com todo seu carinho
Fazendo-me esquecer esse profundo espinho

Queria que me visse
E só pra mim, sorrisse
Aliviando todo esse aperto
Mudando o dia que está muito estreito

Queria que me visse nesse instante
Só pra ver como está o meu semblante
Tão distante de como antes ele era
Tão outono em plena primavera

Queria que me visse em sonhos
E com tuas lágrimas desse-me um banho
Pra limpar toda essa distração e desesperança
Secar todo meu peito, e perfumar-me com a mudança

Não queria me visse hoje em dia
Pois sei que pra você eu não fingiria
E assim eu não conseguiria mentir
Sobre meu sorriso, meus dias, meus olhos e meu fingir

Queria que me visse mentindo
Pra todas as pessoas sorrindo
Você riria tanto de mim
Na verdade gostaria que risse pra mim

Vou gritar dizendo que nunca mais queria que me visse
Por mais forte que seja essa grande e absoluta mentira
Só pra que você pelo menos isso escutasse, e viesse despedir-se
Dizendo que nunca mais iria me ver, e num piscar de olhos sumisse

Por mais que a noite cobrisse meu sol nesse momento
Por mais que as estrelas dessa noite me abandonassem no relento
Pelo menos no momento dessa bobagem que disse
Eu teria feito assim, com que você me visse.
                                                                    Efêmero dos Devaneios

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Um alegórico como eu sou

Aventureiro, insano e desvairado
Sou eu, caminhando na estrada do espaço
Assinei o contrato de risco da vida
Quando nasci, no contrato já tinha minha escrita

Sem medos terrenos, sem medo da morte
No coração trago carinho e fortes e intensos cortes
Procurando nos silêncios, respostas
Para todas as dúvidas, que carrego nas costas

Com um olhar profundo e de criança
Na mochila tem lágrimas e esperança
Olhando pra frente, tropeçando em meus passos
Desfazendo inimigos e firmando laços

Agindo por um impulso pensativo
Vivendo intensamente, desafiando o perigo
Sou calmo, sou brando, sou um bom moço
Com inocência e malícia até o pescoço

Covarde é aquele que se covardia por dentro
Não namora a chuva, por medo do vento
Inconstante, dócil, confiante e encorajado por Deus
Labuto meu caminho, e me entrego aos seus

Amante sincero do amor
Independente de ser eterno ou se já passou
Só pela vida sou apaixonado
E por toda mulher que me deixe encantado

Não me entrego fácil, mas sempre estou entregue
A vontade de conhecer novos mundos, me persegue
E se assim for, e tal mundo durar só vinte e um dias
Já é o suficiente para despertar as minhas manias

Mania de sorrir, cantar, chorar e pedir
Para que o Sol brilhe sempre dentro de mim
E aqueça meus sonhos e meu coração
Entorpecendo-me com calor, devastando a solidão

Que é tão precisa, e precisa ser passageira
E pra pensar em você, só tenho a noite inteira
E pensando em você não há solidão
Pois me faz relembrar o gosto da emoção

Assim sou eu, que nem sei quem eu sou
Talvez eu seja humano
Talvez eu seja o amor!
                                                 Efêmero dos Devaneios

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A árvore

Podei minha árvore da lembrança
Juro que podei até o mais perto possível dos galhos
Tentei eliminar o peso, para florir a esperança
E onde havia buracos, revesti com assoalhos

Mas de nada adiantou
Tudo foi em vão
Minha árvore desbotou
Vendo suas folhas no chão

E isso doía em mim
Escureceu o céu de meu coração
Descoloriu do meu olhar o jardim
Os laços simples fez-se minha prisão

Todas as lembranças que podei
Continuavam ainda assim na árvore
E sem folhas e frutos, quase a árvore derrubei
Eu de tão sensível, sinto-me agora como a mármore

E os laços que digo, que se fez minha prisão
Não me deixam escapar, nem cavando o chão
Chão esse que fica em meu peito
Acarretando todas as lembranças, do que um dia foi perfeito

Por mais que tente esquecer
Eliminar, desatar
Esvair ou esfarelar
De nada adianta, pois volto a relembrar

E olho assim minha árvore coberta de solidão
Chorando pétalas na madrugada
Quase nua, já podada
E ainda assim, exala o cheiro da afeição.
                                                       Efêmero dos Devaneios

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O amargo, a saudade e o acaso.

Acordei com o gosto amargo
Em minha boca
E no momento que tomei sã consciência
Após o sono, mal dormido

Percebi que o amargo era saudade
Que já sentia antes mesmo de acordar
E agora já desperto, sinto a necessidade
De te ver sorrir

Nem que seja por alguns breves instantes
Nem que seja um sorriso por acaso
Como o acaso que te apresentou a mim
E esse mim agora está distante

De todos, de tudo, mesmo estando presente
Vê sempre a mente, longínqua, assim como o coração
Não enxergo a diferença entre a fogueira e o vulcão
O fogo queima, e isso é mesmo inevitável

Agora já de tarde, sinto-me como flores na calçada
Caídas em plena primavera
Todas juntas, bonitas, perfumadas, mas, ali jogadas
Em frente a um terreno abandonado, abandonadas

Não estão mortas, não no presente
Mas sentem sua essência se esvair
Sentem a tristeza dissipar sobre o seu ser
E assim, é que eu me sinto, ao respirar essa saudade de você

Quando chegar o anoitecer
Quero chuvas, relâmpagos e trovões
Para que a tempestade, lave as minhas verdades

E ao amanhecer, a tempestade tem de ir embora
Levando juntamente para longe essa saudade
Não precisa nem o sol, um céu mesmo nublado
Sem esse gosto amargo

Já me comove.
                                                       Efêmero dos Devaneios

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Tão complexo e tão bonito

Como fazer pra ser assim
Tão diferente do que eu sempre quis
Perdi o raciocínio e perdi a prudência
Ontem eu perdi também a inocência

Vi vidas passando por mim
Vi anjos no meu jardim
Dizendo que vieram pra me ver chorar
Enquanto eu os via brincar

Perdido nesse instante por algum momento
Não sei se vai ser fácil, não sei se vai ser lento
Mas, por favor, seja como for
Só não seja violento

Quero conhecer o mundo que criei
Mas, o meu guia turístico, não lembro onde o deixei
Fiquei perdido na minha própria estrada
E como amigos, só tenho a madrugada

E as estrelas como bússola para me guiar
E as estrelas estão quebradas, só pra me levar
Para um lugar aonde não lembre você
Para um lugar distante, onde o sol nasce no anoitecer

Tão difícil, não ser verdadeiro
Tão difícil, não te amar o dia inteiro
O difícil realmente não é mais só olhar
Em seus olhos, mas, sim no meu olhar

Que leva até o nascer do meu coração
Onde a nascente tem o seu cheiro em aptidão
Que se espalha pelas veias do meu corpo
Que me faz ficar leve como um leve sopro

Só de pensar em você
Só de pensar em você
Mas com pensamento não, não penso desse jeito
Penso em você, com o que guardo em meu peito.
                                                                  Efêmero dos Devaneios

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Coisas simples


São nas simplicidades que encontramos
O que nos torna feliz
São com as coisas simples
Que criamos o nosso mundo com giz

Uma presilha de plástico escondida no fundo do baú
Só de olhar para ela, faz um dia preto e branco, ficar um tanto azul
Um chocolate amassado no fundo da gaveta
Parece estar abandonado, mas vale mais que um planeta

Uma caminhada cansativa, após um show de rock
Não trocaria nem por uma, viagem a Nova York
E por mais bobo que pareça, mas grande valor há de ter
Um verso de Romeu e Julieta, recitado pra você

Com erros de português, com frases engasgadas
Com um sorriso tímido, seguido de uma risada
Faz a vida parecer mesmo
Uma dádiva

E todo aquele tesouro no fundo do oceano
Ofertado estar em minhas mãos
Eu trocaria por aquelas verdades mal contadas
E as mentiras com perfeita coesão

São nas pequenas e impercebíveis
Coisas que acontecem
Que a vida entrega coisas incríveis
E as pessoas nem percebem

Um macarrão com carne moída e molho misturado
Tem mais sabor e alegria, que um carro importado
Ou um hamburg preferido, comido com toda vontade
Até mesmo um sapo de pelúcia, tornando sua cama, uma beldade

Uma cachorra latindo
Brincando descontraída
Ou apenas te ouvindo
Enquanto tu choras escondida

Um filme a dois não assistido
Um momento ou instante genuíno
A mordida em um doce proibido
Faz um homem, voltar a ser menino

Tudo isso parece ser sem valor
Tudo isso parece não fazer sentido
Mas o mundo só sente o verdadeiro valor
Quando o despercebido não tiver mais contigo

Uma pedra de quartzo rosa
Sobre algum lugar da casa
Um pingüim procurando uma pedra
Pra entregar com todo amor, para sua amada

Enfatiza o que há de mais sincero
Martiriza as mágoas de um rei
Faz surgir o que há de mais belo
Faz lembrar-me de um sonho, que ainda não sonhei

Os golfinhos simbolizam a amizade
Pois são sinceros até com quem não amam
E o beijo simboliza a vaidade
De dois corações levianos

Escreveram um livro na quarta série
Com fabulosas coisas simples esquecidas
A criança que era cheia de intempérie
Mas que só enxergava o mais doce da vida

Foi crescendo esquecendo da simplicidade
A vaidade tomou conta de si
Era bela e de singela humildade
Mas havia esquecido de como sorrir

A luz do dia abandonada
O ato de pensar jamais lembrado
As estrelas que tornam a noite mais linda
Um olhar inquieto e apaixonado

Um suspiro de leve pós um beijo
A mordida tão forte e delicada
O Sol entardecendo perfeito
Torna sempre a vida mesmo encantada

Os homens esqueceram de admirar
As crianças brincando no vilarejo
Tais coisas simples que convivemos
Nelas estão o nosso maior desejo...

A felicidade... A felicidade... A felicidade!
                                                       Efêmero dos Devaneios

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Amor egoístico


Senti um calafrio em meus pensamentos
E então a ele dei mais importância
Pois nunca houve calafrios em pensamentos
Como sentir frio, em algo que não se sente?

Por isso fiquei muito intrigado
E como você, estava presente nestes pensamentos
Consequentemente o amor nele estava também
Deixando minha mente ainda mais aberta

E meu coração ainda mais submerso em ternura
E agindo assim comecei a pensar
Por que se o sol, brilha com todo seu amor
Intenso como seus beijos, e não deseja nada em troca

Não se importando sequer se alguém irá olhar para si
Ou irá estar trancado em sua casa
Totalmente envolto na solidão
Fugindo dos raios do astro

Mesmo assim ele brilha!?

E a chuva que cai, com toda sua delicadeza
Ou com toda sua bravura
Sempre disposta a lavar a tristeza
E limpar a dor que sentimos em nossos corações

Não se importando também, se alguém estará na rua
Para com ela poder lavar a alma
Para com ela sentir as lágrimas dos céus
E mesmo assim ela cai, com o nublado ou com o sol

Por que no amor, que é algo mais sublime
Que raios do sol, que gotas de chuva
Temos que ser egoístas?
A ponto de amar totalmente entregue a quem

Mas, desejando sempre um amor em troca
Por que não amar, somente por amar de verdade?
Sem se importar se seremos amados ou não
Sem sofrer antecipadamente, por não sabermos o que o outrem sente

Porque nosso amor é cortejado pelo egoísmo.

Na verdade, isso não é o amor...
E sim, um sentimento mentiroso
Que fingi, e tenta imitar o amor
Mas que NUNCA consegue sucesso

E assim sentimos a dor
Frustração
Arrependimento
E nos afogamos em mágoas

O amor não dói, o amor não se individualiza
O amor, simplesmente é o amor
Ele é entregue, sem intenção de retorno
O amor perfeito, o amor sublime

É o amor livre, desprendido de dor e de flores mortas.

E por incrível que pareça
Cheguei a essa observação
Observando sua mordida em meu peito
Onde marcou seu carinho e sua paixão

Nessa mordida, respirei a liberdade
Nessa mordida senti o verdadeiro amor
Não pela mordida em si
Mas por toda sua crônica inolvidável

Portanto, ame...
Mas ame de verdade, entregue seu amor
Sem almejar ser amado
Ame por gostar de doar todo seu carinho

Por gostar de sentir o prazer
Em ver
O outrem sorrindo, o outrem falando
Com seu olhar brilhando, por sentir seu amor

E ao amar assim, não importe-se
Se será passageiro, ou será eterno
Se será por minutos, ou será por séculos
Preocupe-se se é verdadeiro, se é intenso, se é AMOR

Aliás, não se preocupe, simplesmente ame.

Posso estar um pouco insano
Como posso estar mesmo amando
Mas o que afirmo é que o amor
É a essência do ser humano.
                                              Efêmero dos Devaneios

A droga do amor


Por favor, garçom
Uma dose de vodka
To com o gosto na boca
De todas,a mais forte das drogas

Por favor, urgente
Pra uma desintoxicação
Preciso tirar o aroma,
O fervor e este gosto que corre em meu coração

Foi uma boa viagem
Mas já estou de partida
Não quero viciar-me
E intensificar a minha vida

Mais uma, comandante
Mais uma dose caprichada
Essa droga impregna a mente
Mas até a alma já foi tomada

A primeira dose foi pra tirar
A dor e o colateral
Depois da segunda, desça mais cinco
Pra purificar todo esse mal

Mal que fez-me bem
Que levou-me até as alturas
Mas responde garçom amigo
Qual a droga que não te flutua

Confesso que estou tonto
Ainda pela droga que não passou
Os efeitos ainda acontecem
A cada instante que passa, sinto que só começou

Essa droga do amor
É tão difícil de achar
Mas agora que encontrei
Fui obrigado a largar

To sofrendo por abstinência
E a experimentei só por uma vez
Mas sinto-me como estivesse
Intoxicando-me há um ano, um não, seis

Desce a saideira, chefia
Que já estou indo embora
Meu peito já aliviou-se
Mas ainda sinto a droga

Mas não tem problema
Uma hora ou um dia, o efeito passará
Tenho pressa, tenho febre
Mas um dia essa nostalgia, simplesmente sumirá

Obrigado, capitão
Por ter tentado ajudar
Mas o remédio que usou
Contra essa droga do amor
Foi fraco demais pra me salvar.
                                               Efêmero dos Devaneios

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Coração Metafísico

Meu coração metafísico é totalmente mutável
Num instante sente a dor, em instantes depois, sorri
É algo incontrolável
O que acontece por aqui

No ontem ele chorava, soluçava como um bebê
Hoje este coração ri, pensando em você
Mesmo sem te ter mais por perto
Ele sente o seu afeto

Coração metafísico inteligente
E estúpido ao mesmo tempo
Faz o impossível no amor, é mesmo tão valente
Mas pela estupidez do ato inteligente, sofre por um longo momento

Incrível como tu conseguiste enfeitiça-lo
Ele com raiva, com dor, mas em um estalo
Consegue mudar e sorrir esquecendo todo o machucado
Simplesmente porque falou contigo, de um modo apaixonado

Não precisou forçar, e fingir, um olhar embravecido
Pois sentiu-se tão bem em falar, coisas simples contigo
E por esse momento esqueceu-se que estava entristecido
Oh coração metafísico, sempre tu queres ser amigo

Fico feliz por ele ser assim, de forma tão indomável
Pois descontrola o meu pensamento, me deixa atordoado
Mas no final sei que será o coração mais amável
E só por causa dele, que vivo assim desvairado

Cada vez mais descubro esconder de mim mesmo
Mais de milhões de segredos
Mas uma coisa eu sei, e solitário percebo
Que é pensando em você, que encontro todos meus anseios. 
                                                                        Efêmero dos Devaneios

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Não sei como escrever


O que escrever em momentos
Que nem sabemos o que sentimos
Quando tudo o que temos
São lágrimas escorrendo e um coração acelerado

Como escrever, se o que foi escrito nas estrelas
De repente partiu, como um cometa
E meu olhar como um eclipse
Mistura-se com lembranças que temem ser esquecidas

Mas que nunca serão...

E esse eclipse os olhos nu, não enxergam
Só quem o pode ver é o coração
E pela primeira vez, sinto que não sei se sou
Quem realmente penso ser, ou se sou apenas quem não quero ser

O que escrever, quando vocabulários não são o bastante
Para suprir todos os pensamentos, todos sentimentos
Todos os sonhos, todas as lágrimas
Todos os abraços, todos os olhares, todos os dias

Cai outra lágrima agora, e ainda não sei o que escrever
O coração grita, eu posso escutar
Mas nem a lua está presente, para que eu possa nela encontrar
O esconderijo perfeito, para esconder-se de mim mesmo

Como posso matar, o que me faz viver?
Como posso sumir, com o que mora dentro de mim?
Como consegui ter forças para não ter mais forças?
Quero a palavra certa, preciso da palavra certa

Por que o mundo nem sempre é como uma bela canção?
Por que as pessoas não conseguem dar o valor
Para um sol diferente, para uma chuva mais forte?
Por que sempre buscamos mais por quês, para nos entender?

Sendo que nem sabemos realmente se somos
Quem pensamos que sabemos ser
Não queria conhecer a maldade
Não queria conhecer o amor

Porque se ambos machucam tanto
Não queria conhecer a dor
Sem dizer o meu segredo, o vento me levou daqui
E sem dizer três palavras, eu me despedi

Mesmo sem saber, mas saiba quando ver
Erros de português, e o sol a te tocar
Quando ver o mar vindo até você
Ou quando ouvir seu coração bater de um jeito diferente

Só saiba, que aqueles instantes que eu ficava
Olhando sem dizer nada, por um longo período de tempo
Eu queria realmente dizer, três palavras
Só não sabia se entenderia, e nem sabia como.

Então foi nesses dias que tive medo
E foi agora que perdi o enredo
Que vi o céu rosa e verde, escurecer.
Que disse baixinho, e distante

Eu sei que te amo...
                                      Efêmero dos Devaneios

A roupa da humanidade

A humanidade veste-se sem cor
Realça todos os seus defeitos
Preferem deixar qualidades de lado
E jogar fora o respeito

Olhe pra nossa humanidade
Vestida de ignorância
Com seu tecido de luxúria
Bordado com intolerância

Olhe como desfila nas ruas
Essa humanidade esquecida
Dá mais valor ao dinheiro
Do que para a própria vida

Foi visto ali encostado
O amor a preço barato
Mas a humanidade prefere
O orgulho e o status

O pior é que custa caro
Mas a humanidade não liga
Afinal, temos poder
Temos dinheiro, mas não temos amiga

Eu fico entristecido
Na verdade fico até cansado
Faço parte da humanidade
Ela que és mesmo linda, mas não vê por esse lado

Por que insistir em mentir
Se a verdade é algo tão fácil?
Por que fingir amar
Se o amor é o que há de mais grácil?

Vamos abra os olhos para o sol
Que esquenta seu coração
Não deixe, não passe
Essa vida assim em vão

Vamos nós ainda temos jeito
Não entregue o seu tesouro
Por coisas banais
A inteligência e o nosso amor
Valem mais, muito mais, que o ouro

Dispa-se de sua ansiedade
Veja que a felicidade
Vai raiar na órbita de seu peito
Sinta que o amor, é o que há de mais perfeito

Jogue toda essa roupa fora
Não precisamos ser assim
Ser nu, é ser transparente
E do ódio, criar um jardim

Onde nascerá a mais linda flor
A humanidade que os anjos
Por tanto tempo esperou

Eu só queria dizer
Valer a pena dizer
E saber como dizer
Te amo.
                           Efêmero dos Devaneios

Quando irás aparecer?


O tempo passa lento
O tempo às vezes nem passa
E muitas vezes está chuvoso e
Sem graça

E eu num começo de tarde
Quando deparei comigo mesmo
Estava parado a mais de horas
Olhando e sorrindo para tuas fotos

Não sei o que está acontecendo
Faz tempo que isso não passa
Assim como o tempo está lento
O aperto no meu coração só se retarda

Um dia passando como dois
De longe escuto sua voz
Teu abraço está escasso
Teu olhar eu só vejo em um retrato

Nostálgicos andam meus dias
Acho que estou viciado
Em passar alguns dias contigo
Em ficar a noite inteira acordado

Pensando em você
Sentindo o seu você
Dormindo sonho com a gente
E acordado o sonho é você sempre presente

Não sumas assim de repente
Não fiques assim tão distante
Não aguento ficar aqui na praia
Fantasiando você vindo do horizonte

Saudade não é a palavra
Abstinência é a ocasião
Preciso de mais uma dose
De um veneno, que tem dentro do seu coração

Agora sinto até seu cheiro
No momento que estou a escrever
Pra mim já passou 20 horas
Mas o relógio nem saiu das 13 horas

Acabo de descobrir
Vendo a chuva e o dia nublado
Que ficar dias sem te ver
É como não ver o sol bater

Pois assim quando ele aparece
O valor que ele enobrece
E mais forte do que o que tinha
Mas a gente não reconhecia

E assim no amanhã
Quando eu estiver a te ver
Vai ter só um sol no céu
Mas pra mim será como seis amanhecer.
                                                         Efêmero dos Devaneios

domingo, 14 de novembro de 2010

Achado, o que nunca foi perdido.

Devastadora solidão
Perdida no meu peito
Mas meu peito perdido no espaço
Fica em um colapso estreito


Tentando achar o que já encontrou
Segue meu coração
Pois não vê que é dentro dele
Que está o procurado em vão


Em vão, pois simplesmente
Ele perdia tempo tentando encontrar
O que sempre nele esteve
Mas nunca veio a observar


Essa busca incansável
Que o fez perde-se em muitas esquinas
Parecia algo inalcançável
Escondido num poço coberto a neblina


Estava assim mesmo fácil
Bastava ele sentir
Que tudo o que queria
Estava presente, sempre aqui


Mas ele precisou sofrer
Chorar noites sem entender
O porque de ser assim, o porque de nunca ver


Que esse coração matuto
Sempre esteve com o sabor
E nele sempre esteve, o que anos procurou


O sublime, e alegremente menino
Que nomeia-se amor.
                                                   Efêmero dos Devaneios

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Sussurros


Na noite de calor
Onde o vento sopra quente
O cheiro do amor
Entrelaçava-se entre a gente

Era ritual de olhares
Com carícias pra brindar
Lábios molhados pelos ares
E teu corpo a clamar

Pelos toques de meu corpo
Trêmulo ao ter você
E meu corpo, lá no topo
Louco pra te enlouquecer

Minha orelha só pedindo
Seus sussurros delicados
Que negam, só que agindo
O que quer demasiado

E assim como uma dança
Acontece nossa paixão
Recheada de mudança
Entre a lua e o vulcão

Hora brilha nesta noite
Hora explode no vilarejo
Sua mordida como açoite
Chicoteia meu desejo

Enquanto anjos admiram
Nossas intenções em fervor
Eles cantam e suspiram
Vendo a dança do amor

E pós o silencioso gemido
Que simbolizou muita paixão
A chuva para de cair
O vento traz até aqui

O pulsar do seu coração!
                                        Efêmero dos Devaneios

Meu mundo


Meu mundo tem os dias
Cada vez mais coloridos
Mas nele também às vezes
Tem a escuridão

Meu mundo tem maldade
Onde não devia ter
Mas tem amigos de verdade
Que me fazem esquecer

Do amor que está em falta
Eu te amo é até raro de escutar
Mas às vezes escutado demais
Sem significado, só dito por falar

Mas no meu mundo tem meninas
E meninos também
Que choram escondidos
Por medo de alguém

De alguém ver que eles também sentem
O que diziam não saber
Sequer o nome
E hoje sofrem sem querer

Neste meu mundo tem a coragem
E os que pensam ser corajosos
Sem saber que quem a coragem possuir
Não vai precisar mentir

No meu mundo tem a fé
E também se tem um Deus
Mas nem todos sentem os dois
Não sei o que aconteceu

Eu vejo a morte, sinto a vida
E vejo uma juventude esquecida
Que pode mais do que pode imaginar
Mas faltam sonhos e um mundo a inventar

Sempre meu mundo, muda de cor
São cores fortes e vivas com amor
Tem flores lindas e cativantes
E o teu beijo muda o sabor a cada instante

Venha comigo para meu mundo
Onde o passageiro, passa sem pagar
O que eu te cobro por um segundo
É que com um mundo seu, tu possas fantasiar.
                                                   Efêmero dos Devaneios

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Dias chuvosos


Vou correr para o além do nada
Vou tentar buscar refugio nessa estrada
Meus pensamentos estão me matando
E até ontem eu dormi chorando

 Dizem que o sol nasce pra todos
Até pra quem não quer recebê-lo
Mas para mim ele não apareceu
Amanheceu mais ainda está de noite

Estou confuso nessa escuridão
Depois das três
Vou ir até a praia
Só pra tentar esquecer, o meu passado

Mas como faço se não quero esquecer
Mas também não quero lembrar
Na verdade já nem sei o que fazer
A certeza que eu tenho, é que tenho que te ver

E ter aqui comigo
Nem que seja por oito segundos
E oito dias, até mais
O que me fez bem, e o que me faz

Hoje está tão perto e tão longe de mais
Do meu luar , dos meus afagos
E nessa imensidão de pensamentos
Estou afogado

E ultimamente não tenho regado
O meu jardim, dentro de mim
Que, aliás, está escasso
De flores, mas tem em excesso solidão

O meu refugio não encontrei
Estou exposto à tempestade que vem vindo
E que já chegou, e eu me molhei
Estava tão distraído

Chove sem parar e dessa vez não passa
A chuva é intensa e inunda minha cidade
Chove sem parar, gotas de saudade.
                                             Efêmero dos Devaneios

Novo dia?


Amanhã é um novo dia
Isso eu já posso sentir
Mas o que fazer se o novo dia
É igual sempre pra mim

O sol vem e sol se vai
E o pensamento nunca sai
Nem que seja por um instante
Ou nem que seja pra nunca mais

Eu não queria conseguir
O que eu consigo sem tentar
Acabar com os meus sonhos
Sem precisar acordar

Por que as nuvens hoje não vieram conversar?
Por que o arco-íris no meu céu não vem brilhar?
Se já choveu, se já fez sol, se os dois juntos aconteceu
Por que agora no nublado o dia disse adeus?

Mas amanhã é um novo dia
Eu sei que será
Mas é no mesmo amanhã
Que a carência por  você não vai passar

Então pra mim o novo dia, é o velho
Que eu até posso prever
Vou chorar, fingir sorrir
E nem sei, fingir pra que?

Eternizo o que seria passageiro
Vejo o erro no que seria perfeito
Mesmo se não tem erros,só acertos
Não importa, já implodiu tudo em meu peito

Queria só que pudesses ouvir
A melodia assim surdina
Que o meu coração só e na esquina
Canta pensando em ti.
                                      Efêmero dos Devaneios

domingo, 7 de novembro de 2010

Navegação


Acabo de encontrar
No meio do nada
Um grande navio

Nele vou navegar
Por esse mar dentro de mim
Um mar misterioso e tão frio

As luzes dos meus olhos foram perdidas
Agora só ajo por instinto
Vou navegar sem destino certo

Incertezas molham meus pensamentos incertos
A neve cobre o coração
E a neblina deixa sombrio
O caminho que segue essa ilusão

Enquanto navego, em nada penso
Aliás penso, penso em nós
Mas descobri numa historia mal contada
Que de nós o nada é o que sobrou

Canto musicas sem timbre
E junto a elas solto lágrimas
Para emudecer

Essas lembranças secas e vagas
Que seguem a me acompanhar

Deparei no momento
Com o momento que estava perdido
Pergunto as águas do mar, o que eu faço

E como não consigo escutar a resposta
Nesse mar de medos e mistérios
Eu me jogo e me afogo

E só ficarei emerso
Se surgir aquela sereia
E me levar perto da areia

Onde o Sol eu possa enxergar

Mas tal resgate é só um engano
Pois esta sereia
O mar levou para outro oceano

Portanto
É neste mar meio insano
Que eu irei afundar, agora.

                                     Efêmero dos Devaneios

Vinte e um dias

Tive vinte um dias de alegria
Totalmente escrito nas areias
Do deserto do meu coração
Vinte e um dias de segredos
De aventuras fora do real
Fora perfeito todo esse tempo
Vinte e um segundos em um beijo surreal
Fui descobrindo vinte e um olhares
Em todos eles eu só vi o amar
E apesar de todos os pesares
No vinte e um, eu não quero parar
Te peço vinte e uma desculpas
Por eu ter acreditado no azar
Sendo que a sorte sempre estava comigo
Mas por um instante eu não pude enxergar
Não vou deixar partir, o mundo que nem conheci
Ainda estou na porta de entrada
E vinte e uma chaves eu vou encontrar
Pra esse coração
E por mais que você diga vinte e uma vezes
Que nada pode ti fazer mudar de opinião
Eu tenho vinte e um anjos escondidos
Que conhecem cada vértice da paixão
Estou partindo, mas eu não demoro muito
São só os vinte e um ventos de um lugar
Que me levam para o meu infinito
Mas te prometo, que ainda eu vou voltar
E vou te dar
Vinte e um motivos
Pra você querer me olhar e me dizer
Oi amor, agora todo o anjo desse mundo
Só será
Eu e você.
                                               Efêmero dos Devaneios

Uma flor assim tão linda

Veja o sol que toca nessa flor
Deixando-a cada vez mais linda
A cada instante de raio de sol
A flor suspira

A cor mais viva desse meu jardim
A cor de vida, que floresceu para mim
Me aproximo para admirar
A flor mais linda

Enquanto isso ao seu redor
As outras flores ficam só a contemplar
O sol flertar, com essa linda flor
Óh flor menina

Os passarinhos tentando paquerá-la
Cantam cantigas das mais doces melodias
A borboleta pousa pra beijar
Saudando essa flor divina

E até a joaninha preta e branca
Subiu nas pétalas  só para sentir
A ternura e a textura
Que possui, a flor mais viva

Enquanto o vento
A convidava para dançar
Balançando-a sobre a leve brisa
Ela exalava o cheiro do amor, e só sorria

A cor vermelha excitava meu olhar
Não resistindo, levemente a toquei
E vi rolar do seu apogeu
A lágrima de orvalho, que lentamente escorreu

E num sussurro a flor veio me dizer:
Traga até mim pelo amor de Deus
O meu dourado e doce girassol
Que nessa primavera não floresceu

Eu fico aqui a esperar
Sob a chuva
Sob o Sol
Sob o luar

Os passarinhos me convidam para voar
O vento insisti em me levar para viajar
Mas eu espero meu girassol
Aqui sozinha

Sentei na pedra
E escrevi para a flor
A poesia mais sincera
E singela

E recitei com muito amor
E em seguida, dei-lhe um bobo
Beijo nela

A flor, mais linda ainda ficou
Muitos orvalhos escorreram-se dela
E eu parti prometendo voltar
Na outra primavera.
                                 Efêmero dos Devaneios

sábado, 6 de novembro de 2010

Um breve relato, de uma crônica perdida


Acredita em fadas?
Então te digo
Esquece sua crença
Esquece essa tua fantasia

As fadas, podem até existir
Mas não surgem, fácil e por acaso
Nada acontece por acaso
Muito menos , fadas surgiram por ele

Você precisa encotrá-las
E por mais que pareça estranho

Elas não vem até você
Você quem vai até elas
Portanto saiba distinguir uma fada
De algo parecido, ou semelhante

Pois as falsas fadas, te fazem sonhar
Sim, ela te mostram um mundo encantador
Mas, escute, simplesmente
Tudo não passa de ilusão

Cruzarão teu caminho
Derramarão um certo encanto
Que por um momento
Você acreditará ser o auge de seus sonhos

Mas tente, tente focar sua mente
Olhe bem no fundo dos olhos delas
E por mais que pareça difícil
Não caia nos seus feitiços

Mas claro, isso vai soar como conto infantil
Isso vai soar como uma história de fadas
Ou até mesmo como um pensamento insano

Mas não se esqueça
Você pode até não acreditar em fadas
Mas que elas existem, elas existem...

Só não deixe ser enganado
Por seres, que disfarçam-se de fadas
Somente para te atrair para o fundo da floresta

Onde lá, você estará perdido!
                                                       Efêmero dos Devaneios

Contraditória segurança


São nos instantes de tensão
E de medo
Que eu queria ser menos transparente

São nessas horas que eu desejo, como desejo
Não revelar o que eu sinto no meu peito
Queria tanto ser um pouco tanto frio

Queria mesmo ser às vezes tão vazio
Mas não consigo reatar minha mudança
É tão difícil ter purezas de criança

E se eu pudesse colocar meus sentimentos numa caixa
E essa caixa pudesse desaparecer
Jamais teria essa nova insegurança

Que é tão antiga quanto a minha esperança
Meu coração não pode ser o que eu quero que ele seja
Porque a coragem rejuvenesce em mim

E para mim coragem de verdade
É  não ter medo de dizer o que sentir
Não camuflar, nao ter que esconder

O que o coração flerta para si
Por isso tenho medo, do agora
Porque agora realmente eu tenho o medo

Medo no qual, aprendi a não sentir
Nem a morte causava essa sensação em mim
Mas olhe o que aconteceu

Tenho medo de dizer
De falar com você
Pois mentir é difícil para mim

E a verdade, a minha verdade
Soa como mentira para ti
E isso realmente, me entristece

Me deixa sem interagir
Comigo mesmo, com meus pensamentos
E a desordem, toma conta de mim

Desordenado, sou tomado
Por milhares de pensar
Que sempre atingem meu abrigo

E assim fico perdido no espaço
No meu espaço
De gelos e conflitos

Preciso descansar
Descansar os meus sentidos
Pois o olfato e o paladar

Só sentem o que vem de seu carinho.
                                                   Efêmero dos Devaneios

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Iterativo


Ontem parei pra pensar
No que eu não paro de pensar
E tudo me levou a pensar
Que é você meu constante pensar

Durmo pensando em você
Sonhando, eu sonho é com você
E ao acordar já penso em você
Minha imaginação, idealiza você

A essência que vem do teu corpo
Arrepia todo o meu corpo
E assim, já sinto a vontade do teu corpo
Estar junto ao meu, formando um só corpo

Isso parece até muito repetitivo
Mas é assim que soa teu olhar
Constantemente em meus pensamentos
Constantemente a me hipnotizar.
                                              Efêmero dos Devaneios

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A Menininha e o Sol


Na noite de primavera
A mais linda e doce menina
De uma cidade ofusca e agitada
Tinha combinado um belo encontro com o sol

Mas como numa noite
Conversa-se com o sol?
Quando dois seres estão ligados pelo coração
Somente o físico não é o suficiente

E assim a menininha e o sol
Conversavam longas horas
Longos dias, mesmo sem se verem
Sem se falarem, apenas sentindo um ao outro

E então a menininha marcou com o Sol
Um encontro celestial
Para dançarem longas canções
Orquestradas pelos ventos e passarinhos

A menininha estava tão contente
Havia colocado seu mais lindo vestido
Escolhido seu mais belo sorriso
E de todos que ela tinha, vestiu-se com o mais meigo olhar

E chamou alguns de seus amigos para desfrutarem desse encontro
Afinal, seria um encontro dançante e divertido
Seus amigos tinham que participar

Mas quando chegou o instante do encontro
O sol não apareceu, todos estavam lá
O vento, os passarinhos, os amigos e a menininha

Mas não, não o Sol!

Uma nuvem grande, forte e nebulosa
Fria e insensata, cobriste o sol
Quente, alegre e apaixonado

A nuvem cruel o deixou em um sono profundo
Que o sol, mesmo com toda sua quentura
Não pode evitar

E em sonhos o sol via sua menininha
Dançando, sob o vento
Girando como um tornado sobre o mar

Era lindo, o sol estava mesmo encantando

Mas a menininha estava lá, triste
Já havia caído a noite, e ela não veria o sol
Ela esbravejava, entristecida, pois o Sol não foi até lá, vê-la

Tirou seu lindo vestido, escondeu seu belo sorriso
E aquele seu olhar meigo, trocou por um sem ênfase algum
E deitou em sua cama, ainda assim pensando no sol, mas tomada por decepção e raiva

Mas ela não sabia, que o sol estava mesmo que dormindo
Vendo-a dançar alegremente
Mesmo que em sonhos ligado a ela, o sol estava

E no dia seguinte ele surgiu no céu
Todo lindo, resplandecente e radiante
Só para se desculpar com sua menininha

Talvez ela até o compreenda, e o abrace
Com toda a sua ternura
Com toda a sua paixão

E antes de partir o sol deixou bem claro
E o jogou no tempo
Um dizer simples assim:

Mesmo que não me vejas, menininha
Eu estarei contigo, estarei tocando a ti
Mesmo que longe, meus raios quentes
Estarão em ti, e tu estarás em mim

Pois mesmo com meu brilho
Com meu calor, com meu carinho
Mesmo com todas as estrelas que eu já vi e senti
Foi por você, oh minha menininha, que me encantei.
                                                                        Efêmero dos Devaneios

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Estações


A vida nos ensina
Com boas lições
Tendo os dias como caderno
Em tempos de inverno

Mas também nos apresenta
Lindas surpresas
Quando a gente menos espera
Nas chuvas da primavera

Temos que ser sempre alegres
Sempre sorridentes
Pois amores vêm e vão
Nas loucuras do Verão

A vida também nos faz sonhar
E nos engana com falsos sonhos
As vezes até sentimos a dor do abandono
Nas solidões do Outono

E assim a vida passa
Às vezes a gente disfarça
Que não vimos ela passar

Mas no fundo, sempre sabemos
Que os caminhos que escolhemos
Sempre a pena valerá.
                            Efêmero dos Devaneios

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Convite à real fantasia


Eu te convido a viver
Em um mundo coberto de fantasias
Mundo este que sempre sonhaste
Que sempre brincaste de nele viver

Ah eu te convido
A ver as fadas do amor
Os duendes da paixão
Os encantos dos feitiços

Saias deste livro em que estás vivendo
Sem graça, monótono, sombrio
E venhas comigo, sem pensar em nada
Somente venhas, de corpo e de alma

Sentirás nesse convite um medo incrível
Temerás em aceita-lo, por não saber se realmente é real
Ou se será apenas uma vertigem
Assim como um livro passado te causaste

E olhando em seus olhos
Falo sem abrir a boca
Falo somente com os olhos
E com o coração

E tenho certeza de que me entenderás
E virás comigo, sentir a sensação deste mundo mágico
E serás no nosso mundo, esta fada que és, mas não sabias
Uma fada em forma de flor, ingênua, atrevida e sonhadora

Onde ao invés de sua vara de condão
Tens no lugar o sorriso mais belo que os homens já conheceram
Que ao ser exposto, hipnotiza e torna real
Todos os sonhos, desejos, amores e paixões

Agora escute-me, escute-me com atenção
O passaporte para esse mundo
Irá faze-la ir no mais profundo
Sentimento do seu coração

Sinta teus medos agora, sendo devastados
E seu prazer de aproveitar o momento, sendo intensificado
Viverás após isso pensando com o coração
Para ires até este mundo, só me abrace e prendas a respiração.
                                                                             Efêmero dos Devaneios

Game Over ??

O que passa em sua mente quando encontra a palavra acabou
Ou melhor, o que não passa em sua mente nessa situação
Um tremor, uma dúvida, insegurança, trava algo no coração
Fim de tudo, fim do nada, fim do que nem começou

Um enigma em meu olhar que nem posso enxergar
Foi lançado em meu rosto, desde que te conheci
Alguns segredos, muitos sonhos, como paixão eu floresci
E desde então esse enigma eu quero desvendar

E eu te digo, e digo somente a você
Que nessa indecisão eu não irei adormecer
Por mais que aperte e embaralhe tudo que vem à minha mente
Não será agora que deixarei partir, o olhar mais sorridente.
                                                                     Efêmero dos Devaneios

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Miragem

Não! Não me canso de olhar
Concentro-me e olho fixamente
Dentro desses olhos incandescentes
Para tentar acreditar

Acreditar que são verdades
Os afagos que tocam você
Que não! Não é uma miragem
E esse oásis, não vai desaparecer

Mas quanto mais eu mergulho
Em teus beijos que borbulham
Bolhas de alegria e amor
Mas entro em paranóia, que a ilusão começou

E se isso que sinto não for verdade?
E se isso que vejo não existir?
Será que vai sumir com o vento?
Ou vai ventar até mim?

Com essa imagem fascinante
Com tanta beleza interior em cores
Com esse sorriso tão radiante
Com mil e um sabores

Não pode ser uma miragem!

Além do mais, miragem não tem sabor
Miragem não dá pra tocar
Muito menos transmite calor
E nem faz faltar seu ar

Já que não é miragem, só pode ser sonho
E sobre este sonho, uma coisa eu sei
Mesmo que a solidão me de um banho
Tão cedo não acordarei...
                   Efêmero dos Devaneios

sábado, 23 de outubro de 2010

Simplesmente Liberdade


Dias de liberdade
São como rosas que voam com o vento
Embelezando todo o ar, o dia e a cidade
Sem saber pra onde ir, somente seguindo o instinto em momento

Mas digo a liberdade verdadeira
Não a falsa liberdade
Que engana a mente
Mas no fundo o coração sabe

Que está aprisionado pelos próprios sentimentos
Pelas proprias emoções, e sensações
Desprovido do calor e jogado ao relento
Sem véu de esquecimento, e saciando-se por ilusões
 
Amo ser livre, por isso desprendo-me de falsas ideologias
Não ligo pra hierarquia
No fim, sempre no fim
Todos temos o mesmo final

Sem riqueza, sem beleza
Só herdaremos histórias eternas
Amores de alta realeza
E todo o brilho cintilante da Lua interna

Sigo sempre assim apaixonado pelos pássaros
E pelo mar, misterioso mar
Pois eles sim, sabem saciar e se esbaldar
Da verdadeira liberdade

No qual o verdadeiro significado o mundo esquece
A verdadeira vivencia
Dessa tal liberdade em saliência
Só quem exala o amor a conhece.
                                              Efêmero dos Devaneios

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tu que me tinhas acabou

Pra que tentar falar,
Com quem não sabe te ouvir?
Pra que buscar verdades,
Em quem só sabe mentir?

Não vou ficar arquitetando
Sonhos que só são em vão
Não vou ficar articulando
Pro seu surdo coração

Já que não podes me ver
Já que não sabes chorar
Percebo que em você
Só o vazio vai reinar

E eu não vou estar
Mais por lá
Para preencher

Todo espaço em branco
Que o teu peito em prantos
Solidificou! 
                        Efêmero dos Devaneios

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Amor, surrealismo verídico

Estou em busca do que um dia prometido
Já procurei nos lugares mais ousados
Fui até mesmo ao escuro de um lugar tímido
E percebi que lá estou abandonado

Sem rota de fuga, e sendo mesmo escravizado
Pela paixão entrelaçada ao passado
Que com carinho chicoteia meu olhar
Que abre cortes sem o escorro do sangrar

Estou fugindo de mim mesmo faz um tempo
Pois quem eu era, se confunde com quem é
Sinto o veneno de teu beijo correr lento
Ele não mata, porém não me deixa em pé

Porque em pé somente fisicamente
Não faz sentido, se a mente não respirar
E o coração que pulsa inversamente
Causa distúrbios nas visões de meu olhar

Tua frieza te torna o meu hesito
Fez-se mentira tudo que por ti foi dito
E o meu grito está sem forças pra clamar
Pelo o que tu insistias a me falar

Já perdido e sem a tua fragrância
Sigo um caminho pra bem longe de mim
Onde encontro romance em abundância
Nesse lugar aqui pra onde eu vim

Aqui sempre num final de tarde
Assisto a um espetáculo de amor
A doce onda vem abraçar a pedra
Que ali firme o dia inteiro a esperou

Como luzes do cenário, o crepúsculo
Criado pelo namoro da Lua com o Sol
E o mar ali refletindo tudo
Deste romance, é a pluma, o lençol.
                                            Efêmero dos Devaneios

sábado, 25 de setembro de 2010

Um novo mesmo ser

Estou cansado fisicamente
Mas meu coração está tão disposto
Antes era o contrario totalmente
Mas em eterno momento, tenho um novo rosto

Mergulho dentro de mim
Em sensações cristalinas
Percorro por vastos jasmins
Que em meu olhar se fascina

Falo com mais amor
Olho com mais ternura
Embriago-me com o mel da flor
Meu toque, fervor sussurra

E no ontem na vida um tom cinza
No hoje só cinzas virou
Aquele no espelho ranzinza
Num marujo se transformou

Que navega no olhar das pessoas
Nos sentimentos alheios
Num barco de amor próprio
Sendo um Deus dos devaneios.
                                         Efêmero dos Devaneios

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dê vida à vida


No momento que a angústia te envolve
Logo quando a saudade lhe corrói a alma
Nesse instante que a nostalgia te convida
Para uma viagem perdida

O que fazes neste momento?
Ou o que fazes depois deste momento?
Eu sei, eu sei, tu esqueces a felicidade
Deixa aflorar a ferida, fecha os olhos pro mais belo
Fecha os olhos para a vida

Não ajas mais de tal maneira
Maneira esta que deves contrariar
Contrarie a angústia
Deixando seu coração em sereno alívio

Cante versos errados, mas lindos
Veja os cães abandonados, mas feliz
Sinta o vento louco, mas livre
Contemple no barro a beleza do lírio

Assim voltarás a olhar as nuvens
E nelas enxergarás um quadro de desenhos
Surreais, que dançam em sincronia
A música que alegria cantarola

Junte a saudade, dor, nostalgia e angustia
E as jogue na lagoa do medo
E deixe que afunde bem fundo
Formando assim, uma só marola

Já com a felicidade no peito
Sinta o sabor da tua vida
Não há gosto mais doce no mundo
Não há mundo sem o sabor da vida.
                                       Efêmero dos Devaneios

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