terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Uma boca a mais, outra noite apenas.


Passei por todas elas
Dezesseis bocas em uma noite
Pra tentar esquecer você
Pra tentar lembrar você

Mas nenhuma delas
Puderam fazer com que
Eu ficasse sem pensar
Em tudo que gritava seu nome

Flashs, luzes, gritos absurdos
Em formas de batida
Saíam das caixas de som
E eu, ali esperando um refrão

Pra poder cantar bem alto
E lembrar você
E esquecer você
Por segundos não enlouquecer

E dezesseis bocas me sorriram
Mas seu sorriso não apareceu
Tais bocas me envolveram
E ao mesmo tempo dissolveu

Todos meus olhares que guardei
Pra você
Que sumiram nesta noite
Em que na manhã de amanhã
Não vou lembrar, nem saber.
                                              Efêmero dos Devaneios

domingo, 16 de janeiro de 2011

Delírios de um giramundo


Sabe qual é minha droga
Aquela que me acalma
Que me deixa pairando no ar
Afoga minhas mágoas

É forte e barata
Na verdade preço não tem
O seu valor é bem alto
Mas talvez não lhe convém

Minha droga, que me alucina
Endireita minha mente
Põem os pensamentos no lugar
Me deixa em suma contente

Essa droga consiste em
Ficar olhando a praia
Ficar olhando alguém
Ficar olhando o nada
Ficar só com o silêncio
Isso me faz tão bem

Isso sim é minha droga
Revela meu paraíso
E pensativo de canto
Estendo um singelo sorriso

Por saber que vejo em tudo, sempre o lado bom
Não importa a hipótese, importa o coração
Só vendo como são e não como estão
É que faço dos meus dias, um eterno anfitrião

Que mostra o meu castelo
Que ontem foi destruído
Mas vejo que dos seus escombros
Nasceram os mais belos lírios

Por portar tanta beleza
Teu nome aos lírios dei
E a minha maior certeza
É a certeza que não sei

Se sou eu que estou no mundo
Ou se o mundo que está em mim
Mas com bálsamos em meu coração
Foi que me tornei assim.
                                          Efêmero dos Devaneios

A serpente da esquina


Se entregas a mim
Mas nem sabes porque
Só buscas, perdida
Amor ou prazer

Não vês em mim
O que realmente vê
Soletra meu olhar
Mas não o sabe ler

Deita se entrega
Faz o mundo parar
Perde o mundo
Deitada a me olhar

Antes de mim
Teve outros entregues
Depois que eu sair
Simplesmente não negue

Que por mais frio que seja
Que por mais supérfluo que haja
Sabe que seu veneno
Se compara ao da naja

Mas já que és feliz
Se entregando assim
Dinheiro faz seu mundo
Num motel ou em um botequim.
                                                 Efêmero dos Devaneios

Labirinto dos dias


Vista embaçada
Mastigo uma rotina que desce engasgada
Só vejo o que ninguém vêm
Submerso na madrugada

Ontem foi o que hoje está sendo
Amanhã será, o que agora estou fazendo
Faço sempre o mesmo
Pensando em coisas que não estou escrevendo

Será que vem, será que vai
Será que entra, ou ainda sai
Não sei por quanto tempo
Tenho que aguentar o que nunca cai

A mesma história sobre você
As mesmas coisas tento esconder
E por que, e pra que?
Se tudo que é sobre mim você não lê

Estou cansado, estou exausto
Preciso da saída secreta desse holocausto
Mas se já nem lembro onde foi a entrada
Vou ficar aqui nessa rotina embaralhada.
                                                        Efêmero dos Devaneios

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Tesouro sem preço

Vento bate forte
Bate forte o coração
Enquanto eu caminho
Nas curvas da emoção

Eu sigo sempre em frente
Admirando a paisagem
Seja de uma praia
Ou de cima da minha laje

Os olhos brilham mais
Do que a estrela cadente
Isso é o reflexo da pureza
Que está sempre presente

Não preciso de muito
Pra me sentir feliz
Só sentindo a vida
Já sou o que sempre quis

Sentindo ela nos lábios
Na pele, no beijo e nos dedos
Ela passa por mim
E eu passo por ela criando enredos

E tudo que vejo
Transformo em ouro
Não ouro de riqueza
Mas ouro de tesouro

O tesouro mais simples
Que o dinheiro não pode comprar
A vida me mostrou
Onde é que ele está

Não está num pote no final do arco íris
Está em cada porção de nossas emoções
E em cada passo surgem novas diretrizes

O tesouro valioso, porém, o mais singelo
Está em nossos corações
O nosso mais belo castelo.
                                           Efêmero dos Devaneios

Ontem


Amanhã pode ser ontem
Depois que tudo se passar
Mas o ontem no amanhã
Não irei jamais encontrar

Ou quem sabe até eu encontre
Nas falas, nas salas de estar
Enquanto eu, um ser errante
Falando só, e só por falar

Nem sei ao certo o que eu falo
Ou se nem falo, mas penso estar
Falando há horas e em um estalo
Percebo que não estava a falar

Sobre o ontem no amanhã
Sobre o nada numa manhã
Penso em silêncio comigo mesmo
Por que a esmo fico a pensar

Naquele ontem que já não volta
Nesse presente que me escolta
A um futuro que em minha porta
Baterá!

Dizendo ser o novo ontem
Mas que só amanhã vai chegar.
                                            Efêmero dos Devaneios

sábado, 1 de janeiro de 2011

Deixa

Não me olhe, mas deixa
Eu te recriar simples assim
Nada fale, não se mexa
Deixa eu te reinventar dentro de mim

Sentindo seu leve corpo como um sopro surgir
Enquanto as cores do mundo se misturam por aqui
Deixa por um momento eu te recordar e te sentir
Enquanto aquele seu perfume começa a fluir daqui

Deixa minhas lembranças como dança me envolver
Fazendo as curvas de suas coxas me levarem até você
Deixa que meu coração não precise repreender
Todo o toque dos seus lábios que estão a seu mercê

Deixa que eu fique por horas aqui a sóis
Eu, minha cama, a saudade e nada mais
Deixa que a chuva imite o timbre de sua voz
Enquanto sinto ser escravo e a nostalgia o capataz

Deixa que eu enlouqueça
Antes que amanheça
Mas não se esqueça
De deixar eu te lembrar

Sou só mais um vadio
Deixa que eu te crio
Sentindo sozinho o frio
Me esquento ao te lembrar

Nessa finita cidade
Tenho o mapa da saudade
Mas me perco em verdades
Que me fazem te lembrar

E é perdido que encontro
Às vezes ébrio, às vezes tonto
O fantástico reencontro
Do teu amor e o meu olhar.
                                        Efêmero dos Devaneios

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