domingo, 30 de agosto de 2015

Perdido



Eu estou tão perdido
Que vivo me encontrando
Num beijo, num corpo, num vicio
Num riso, num timbre, num pranto

Me atiro num precipício todos os dias
E volto pra me ver cair
Só pra ver de longe, meus medos
E meus desenganos indo pra longe de mim

Eu estou tão confuso
Que vivo na indecisão
Se amo, se me apaixono
Se vago na solidão

Vivenciando a saudade
Só por hobby ou simpatia
Trocando o riso por choro
Somente por ironia

Meu próprio coração me trai
Minha mente nem posso contar
O acaso é meu melhor amigo
Por acaso quem vai notar??

E olha lá de novo
Quem cai no precipício
Com o peito tão perto do fim

E a alma tão perto do inicio.
                                "Efêmero dos Devaneios"

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

As Crônicas de Sagittarius I : Apartamento 512


Alto como em um pico de uma estrela
Era o nosso lugar naquele dia
Não pela altitude em si
Mas pela nossa sensação de euforia

Varando a madrugada quente
Numa noite de inverno
Dois corpos traçados a se entregar
Como fogo e inferno

Tão de repente em mente
Tudo se encaixou
A data, a hora o tempo
Tua angustia no meu calor

Janelas, olhares, o mundo
Conversas e segredos vinham a tona
Canções como as de um Lounge
Enfeitavam aquela maratona

Onde não tinha ganhador
Onde não tinha campeão
Se aventuravam por prazer
Era mútuo por emoção

Vinte e quatro horas entregues
O relógio era todo seu
Perdemos a hora é claro
O tempo muda no apogeu

Os sonhos em claros
Numa rua escura
Um sorriso no carro
Rua da amargura

Atravessou a rodovia
E se foi
Pra sempre?
Ou até depois?!
                                  "Efêmero dos Devaneios"

As Crônicas de Sagittarius II : Jardim do Éden



Se eu tivesse que dizer onde fica o fim do mundo
Sem duvidas iria saber, que é atrás de um rio sem nome
Onde nem quem lá habita sabe seu nome a fundo
Nem se interessa a saber

De lá eu vim, trouxe a bagagem, só sorriso e felicidade
Não me preocupando com o amanhã e seus problemas
Nem como tudo iria proceder do outro lado da cidade
Só deixei acontecer

Uma trilha curiosa, uma risada gostosa, e só
Céu em degrade, o barulho das ondas, e ela se despiu
Fingiu que nem me viu, sorriu e minha cabeça deu um nó
O que mais eu poderia fazer?

A noite nos envolveu e vi o quão estrelado é o céu nas praias do litoral sul
E na sua crise de respiração, que soava tão sexy, nos vimos a sós
Com as pedras, a lua, a areia e o nosso corpo nu
Devia ter fotografado você

De tão intenso o momento, depressa correu nosso tempo
Tão escuro quanto o caminho que tivera a percorrer
Eu daria uma semana inteira pra deixar aquele dia mais lento
Mas a ampulheta teimava correr

E num piscar de olhos, já vinha panela no fogo queimando
A pressão arterial aumentava, o fogo exalando pela casa
E novamente dois corpos se entregando
Era até bonito de ver

O paraíso no Éden é belo, assim como o mar de leite condensado
Se perder por ai é tão bom, quando se aproveita o momento herdado
Uma sauna no carro, uma noite divertida, outra vez aquela avenida?

A avenida do adeus
Um beijo, um cheiro

Um breu...
                                                           "Efêmero dos Devaneios"

As Crônicas de Sagittarius III : Quebra mar



A triplicidade dos signos de fogo
Traduz o charme que traz
Seu calor humano enlouquece
Ternura e meiguice de mais

A forca que via na tela
Não conseguia nem dar atenção
Estava enforcado por ela
Nas cordas de uma paixão

Nos labios sabor de vinho
Que causam embriagues
Nas caricias, o “doce”
Que tira minha lucidez

E o deleite daquele fluido
Que eu podia me afogar
No meio do oceano
No meio do quebra mar

Loucuras, insanidades
O gosto da liberdade
Aventuras que desafiavam
A nossa nobre coragem

Porque essa constelação acelera o tempo
Quando me encontra?
Porque tu pensa tanto
Enquanto tu me encanta?

Polos tão distantes como hão de se encontrar?
Incertezas tão distantes como hão de combinar?
Respostas que traem perguntas, eu nunca fui de me importar
Eu traio o destino com a forma, que cismo me relacionar.
                                                 "Efêmero dos Devaneios"


domingo, 26 de julho de 2015

Química


Tua química ficou em mim
Como teu cheiro em meu cobertor
Um dia inteiro sem fim
E eu preso no teu calor

Nossos beijos tinham vapor
Num ar de sexo e paixão
Teu rosto um lindo rubor
Inspirando um olhar de tesão

Frenética batida no peito
Desfibrilava adrenalina
E eu focado no teu jeito
Que mistura mulher com menina

Manchas e marcas pelo corpo
Refletiam nossa intenção
A visão era só um escopo
Do que vibrava no coração

Sabia que teu toque era intenso
Na primeira vista do seu olhar
Que cruzava com o meu imenso
Desejo de te tocar

A despedida despida
O sorriso no canto da sala
Um beijo naquela avenida
E a saudade dentro da mala

Domingo com tua lembrança no meu cobertor
E teu cheiro nos meus pensamentos
Num outro dia eu bebo do teu calor
Em doses desse momento

E quando tiver no auge
Do porre e embriaguez
A gente corre e foge
Se entorpece um do outro, outra vez
                         "Efêmero dos Devaneios"

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Condenado



É... acho que não dá pra fugir de algo que se torna carma.

Estou preso a isso, talvez destinado a ser, sempre o lado que sofre mais de um relacionamento. Quer dizer, do seu término.
Odeio ter esse maldito coração aberto, e entregue a toda alma sincera que se depara.
Cortes profundos na alma, cicatrizam mas não saram.

Admiro os que não acreditam no amor, e vivem por ai a seu modo gelado.
Ser sentimental, hoje, é coisa do passado, não dá mais pra ser assim, e se for, teu futuro terá que se acostumar a viver calado, orgulhosamente sofrendo em silencio.
Rindo por solidão, andando com amigos pra poder ser sozinho, sem ser confundido com depressão.

Uma hora essa malévola  passa, sempre passa. Mas tudo que já vi passar, também vi ficar em mim, flagelado e marcado a ferro e fogo, e cada lembrança assusta.
Dessa vez será diferente, pensei,  mas aqui já estou eu, afogado em erva, whisky, saudade, e a pior de todas as drogas, a solidão. Aquele gostinho amargo, que às vezes confundo com ódio, aquela euforia que às vezes confundo com paixão, aquelas lembranças que às vezes confundo com saudade, mas no fundo sei que é ela, doce solidão.

E peco caçando teu cheiro em outros corpos, teu gosto em outros copos, teus olhares em outros bares, teu amor em outras drogas.
E no final é sempre assim, to jogado no meu sofá, olhando tuas fotos antigas, fotos de momentos nossos, e fotos atuais tuas, te vendo sorrindo sem mim.

Não, não, não, não pense que sou um coitado, me viro aqui do meu lado, me divirto e ainda sigo minha rotina, a diferença está só em um detalhe, não tem felicidade.
Tem sim, o continuar vivendo, até isso passar, até arrumar outro amor, ou fingir que estou amando de novo, foi assim antes de você, com você e depois de você. Até você virar o verdadeiro amor, até eu perceber que era você que eu escolhi, pra tentar envelhecer comigo.
E claro, até o momento em que eu ficaria de coração partido. Tolo!

Esbravejava que nada era pra sempre, e que tudo passa, me sentia tão aceito a essa ideia.
E me enganei... No fundo meu coração acreditava que éramos um, eu e você, até o final.
Só não imaginava esse final... Ainda lembro do plano de nossas tatuagens, de nossas viagens, de nossas canções e brincadeiras infantis.
Como sempre disse, não sei esquecer um sentimento assim tão facilmente, seja ele bom ou ruim. Simplesmente não sei.

Shiiuu!! Meu amor está cansado, meu coração também, o tempo sempre dá um tempo pra eles se recuperarem, e uma hora o tempo cansa, envelhece e morre...
Ei por quanto tempo você ainda pretende bater??

É... acho que não dá pra fugir de algo que se torna carma.
                                                                                        "Efêmero dos Devaneios"



Se você voltar

Em que caos fui me meter
Ou melhor, me perder
E te perdendo aos poucos
Foi que pude perceber

Não há beleza em mais nenhum lugar
Fantasmas da saudade assombram meu luar
Minha lua não brilha mais no céu
Nem reflete mais no mar

Mas se você voltar, fadada a mim, risonha
A gente foge pro Amazonas
Viaja ao Arizona
Juntos, a gente sonha

Sonhávamos tão bonito
Crentes no amanhã
Rindo do infinito
O vazio hoje fez-se abrigo

E do que mais sinto falta?
Seu sorriso
É indescritível como a falta dele me assalta
E leva todos meus sentimentos imprecisos

Aqueles que você levou
Mas se você voltar
A gente casa hoje mesmo
Eu largo a solidão a esmo

O que preciso pra te ouvir cantar?
Faço o que for preciso pra te ver voltar
Como foi que essa distancia se enfiou entre nós
O fim veio depressa, veio veloz

Agora cada madrugada vira um purgatório
Cada musica romântica soa um velório
Não quero viver sem você do lado
Tudo parece nada, meu sorriso está defasado

Se você voltar, eu prometo
Prometo ser teu amuleto
A curar teus medos
Tatuar teu nome em meu peito

Dentro do meu coração
Ferindo essa devastação
Que sinto aqui por dentro
Desde que você se foi

Volta, vem dizer um oi
Vem viver sorrindo
Se você voltasse...
Eu não estaria indo

Pro inferno outra vez.
                          “Efêmero dos Devaneios”

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